domingo, 26 de setembro de 2010

A importância do Treino diário


A resolução de tarefas diárias é muito importante para que o aluno adquira domínio dos conteúdos. O estudo pode ser comparado com o esporte, à música ou dança que requerem treinos constantes para que haja domínio. O estudo deve ser diário por no mínimo uma hora.

Estudar: aplicar o espírito, a inteligência e a memória para aprender (habilidade, técnica, ciência, arte etc.); adquirir habilidade e/ou conhecimento. Procurar compreender (algo) através da reflexão; meditar, refletir.

Dicas CEST:

· Crie um horário de estudo diário para revisar as matérias do dia. Não deixe pra estudar tudo no dia anterior à prova.

· Estude num lugar calmo e sem barulho. Música durante o estudo? Só se for música calma e em volume baixo.

· Procure esclarecer todas as dúvidas com o professor durante as aulas ou dias de reforço.

· Alimente-se antes de ir ao colégio. Com fome fica mais difícil aprender.

· Procure desenvolver todas as atividades propostas pelos professores e participar dos trabalhos.

· Realize atividades físicas, pois uma boa saúde corporal é fundamental para um bom desempenho na escola.

· Procure dormir no mínimo 8 horas por dia para não ter sono durante as aulas.

· Acompanhe os telejornais da TV e leia revistas e jornais. Um aluno atualizado sempre tem um bom desempenho no colégio.

· Use e abuse do dicionário, pois só assim você irá aumentar seu vocabulário e entender melhor os textos.

· Aproveite bem as férias e feriados. O lazer é fundamental para recarregar as baterias e chegar disposto ao colégio.

· Procure ter uma vida agradável no colégio, faça amigos e aproveite as atividades extra classes.


Equipe CEST

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Estereótipos

O que é estereótipo?

Estereótipo vem do francês Estereotype = Estéreo + tipo. Fôrma compacta obtida por processo de estereotipia, ou seja, reproduzir a partir de uma matriz. Na linguagem popular o termo pode significar lugar-comum, clichê, chavão, ideia muito comum...

Na psiquiatria se utiliza a terminologia para enquadrar o indivíduo que repete insistentemente gestos ou posturas, ou seja,sinais que podem remeter à esquizofrenia. Já a psicologia argumenta que os estereótipos, são atitudes que agregam crenças acerca de um grupo, são o componente cognitivo do preconceito. No entanto, considera-se que é o componente afetivo que constitui o preconceito em si.

Na filosofia o termo remete ao pré-conceito da generalização superficial geralmente predominante no domínio e nas crenças, não do conhecimento, ou seja, ele tem uma base irracional e por isso escapa a qualquer questionamento fundamentado num argumento ou raciocínio. Daí a dificuldade de combatê-lo. "Precisamente por não ser corrigível pelo raciocínio ou por ser menos facilmente corrigível, o preconceito é um erro mais tenaz e socialmente perigoso" (Bobbio).

Ao apresentar a base irracional do preconceito, Bobbio levanta a hipótese de que a crença na veracidade de uma opinião falsa só se torna possível por que essa opinião tem uma razão prática: ela corresponde aos desejos, às paixões, ela serve aos interesses de quem a expressa.

Bobbio distingue os preconceitos individuais, como as superstições, por exemplo, dos coletivos. Fixa sua atenção nos nestes últimos, porque os primeiros são inócuos, não produzem resultados graves. Ao contrário do que ocorre quando um grupo social apresenta um juízo de valor negativo sobre outro grupo social. Dizer que os homens são diferentes entre si é um juízo de fato, mas, a partir disso, não existem elementos que fundamente juízos de valor que considerem um grupo de homens superior a outro. É precisamente essa diferenciação valorativa que costuma servir de base à discriminação, à exploração, à escravização, o julgamento da inferioridade da raça ou à eliminação de um grupo social por outro.

Na visão da Sociologia, Estereótipos são construções mentais falsas, imagens e ideias de conteúdo alógico, que estabelecem critérios socialmente falsificados. Os critérios baseiam-se em características não comprovadas e não demonstradas, atribuídas a pessoas, a coisas e a situações sociais, mas que, na realidade, não existem.

Na visão da educação o estereótipo é um conjunto de características presumidamente “partilhadas por todos” os membros de uma categoria social. É um esquema simplista, mas mantido de maneira muito intensa e que não se baseia necessariamente em muita experiência direta. Pode envolver praticamente qualquer aspecto distintivo de uma pessoa – idade, raça, sexo, profissão, local de residência ou grupo ao qual é associada

Estereótipos são presentes em todas as áreas e atividades do ser humano – “Penso, logo pré-concebo” – O estereótipo pode ser vislumbrado como a fôrma, a matriz que reproduz e dissemina pré-conceberes. A matriz que dita, que padroniza o agir e o ser. O indivíduo é meramente uma fôrma provinda de uma matriz com a Visão de reproduzir sem questionar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O DESENVOLVIMENTO NEUROLÓGICO E SUA INFLUÊNCIA NA APRENDIZAGEM

Texto de Sandra Tomio - CEST


HEREDITARIEDADE

O desenvolvimento e crescimento do ser humano começam no momento da fecundação. É a partir desse momento que a hereditariedade começa a exercer sua influência, pois ela significa a transmissão das características da espécie e, em particular de certas características individuais doas pais aos filhos. Ela é transmitida pelos genes, que têm em seu interior um conjunto de instruções ou programações para o desenvolvimento do indivíduo. Estas dependerão de vários fatores, sendo o fator ambiental um deles.

AMBIENTE

É tido como a soma total de estímulos que atinge um organismo vivo, de modo a traduzir o código genético determinado no momento da concepção. Ele pode ser: (a) intracelular (de dentro da célula), (b) intercelular (existe entre as várias células orgânicas), (c) intra-uterino (antes do nascimento) e (d) pós-uterino (depois do nascimento). Vimos desta forma, que o fator ambiental está presente desde o momento da concepção.

Além da hereditariedade e ambiente, temos a maturação e a própria aprendizagem como indispensáveis ao desenvolvimento neurológico.

MATURAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO

É definida como o desenvolvimento das estruturas corporais neurofisiológicas, determinado pelas potencialidades inatas e independentemente de experiência prévia, que poderá tanto possibilitar quanto limitar o desenvolvimento do comportamento.

O indivíduo, ao nascer, não tem ainda condições de ter suas células nervosas em funcionamento e necessitará de dois processos para que isto ocorra: a mielinização das fibras nervosas e um meio ambiente que estimule adequadamente. Assim, desde que a maturação das ligações nervosas esteja realizada, a aprendizagem de uma função pode fazer-se facilmente. Como a motricidade e a inteligência desenvolvem-se por etapas sucessivas, é necessário que, em cada estágio, o indivíduo receba as estimulações e o tipo de ensino compatíveis com seu potencial cerebral. Temos então, a partir de um certo estágio de desenvolvimento, o aumento da importância do fator ambiental na expressão da maturação do sistema nervoso. A experiência e o aprendizado passarão a desempenhar um papel fundamental para a integração das regiões cerebrais e, além disso, promover alterações estruturais celulares.

Também nessa fase temos os chamados “períodos críticos”, em que o indivíduo deverá ser exposto a determinados fatores ambientais a fim de permitir o adequado desenvolvimento de suas habilidades perceptuais, motoras, cognitivas e sociais. A maioria dos comportamentos do ser humano é aprendida, ou seja, são produtos da aprendizagem, excetuando-se os reflexos que são automatismos inatos. Por isso, é de suma importância que tomemos a aprendizagem como objeto de nosso estudo.

PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA INTELIGÊNCIA

Segundo Piaget, a inteligência humana é sempre um conjunto da maturação, da experiência física e social, e de um princípio dinâmico dominante: a equilibração. A experiência dá origem a novas estruturas mentais que ampliam a gama de experiência potencial da criança, o que, por sua vez, origina novas estruturas mentais. De acordo com sua teoria, pode-se verificar a diferença entre dois processos, já citados, que são relacionados, mas muito diferentes conceitualmente: desenvolvimento e aprendizagem.

O desenvolvimento refere-se aos mecanismos gerais do ato de pensar: pertence à inteligência em seu mais amplo e completo sentido. Tudo quanto pode ser chamado característico da inteligência humana vem à tona, principalmente, através do processo de desenvolvimento, como que destacado do processo de aprendizado. Este se refere à aquisição de habilidades e fatos específicos. Apesar do grau de desenvolvimento suceder sempre na mesma ordem, ele não corresponde a idades absolutas. A idéia central de sua teoria é que a lógica de funcionamento mental da criança se desenvolve gradativamente e qualitativamente diferente da lógica adulta. Sua aceleração ou retardamento irá ocorrer de acordo com os diversos meios sociais e a experiência adquirida. Assim, é preciso a escola reconhecer que não se trata de algo que exclua do aluno a possibilidade de aprender e sim, algo que lhe conduza a um modo particular de aprendizagem.

NEUROPLASTICIDADE

A neuroplasticidade é uma propriedade inerente aos sistema nervoso com a capacidade de modificar o seu funcionamento e de se reorganizar através de alterações ambientais ou de lesão.

Hoje se sabe que todos os medicamentos que aumentam a excitabilidade cortical de forma geral favorecem o aparecimento de trocas neuroplásticas. Basicamente, os mesmos mecanismos são os responsáveis pelos fenômenos plásticos em áreas motoras e somáticas em funções relacionadas com linguagem e cognição, entre outros.

Os avanços científicos, com a aplicação das novas tecnologias, têm motivado o estudo dos fenômenos que mediam a restauração das funções nervosas após lesões cerebrais de diversas etiologias. Podem ser citados como mecanismos de recuperação:

a) O aumento da eficácia sináptica com a ativação ou desinibição de vias existentes e pouco ativas no momento;

b) O crescimento dendrítico dos neurônios sobreviventes com formação de novas sinapses;

c) O aumento da atividade de vias paralelas às lesionadas também por reforço da atividade sináptica e a desinibição de vias e circuitos redundantes.

No ser humano, tem se obtido evidências de ao menos quatro possíveis formas de plasticidade funcional:

- a adaptação de áreas homólogas (contralaterias, por emcanismos de desinibição);

- plasticidade de modalidade cruzadas (reativação de funções em uma área não primariamente destinada a processar uma modalidade particular);

- a expansão de mapas somatotóprios (reorganização funcional);

- ativação compensatória ( desinibição – reorganização funcional).

Todas as privações sofridas pelos indivíduos são responsáveis por lentidão e anomalias do desenvolvimento (aspecto qualitativo) e de crescimento (aspecto quantitativo). É nos primeiros anos que a mielinização se opera, as redes neurais crescem e se estruturam, os processos de informação visual, auditivos, tátil-cinestésica se organizam por níveis de atenção, seleção, discriminação, identificação, sequencialização e retenção, e os processos de comunicação verbal se produzem através de funções de formulações, planificações e controle de condutas psicomotoras e psicolinguísticas.

É óbvio que a intervenção precoce não pode realizar-se sem uma identificação precoce. Uma é dependente da outra, daí a importância da identificação, que permitirá evitar conseqüências de várias ordens. A identificação precoce não pode ser casual e assistemática; antes, e pelo contrário, ela deve ser científica e visa eliminar ou atenuar seqüelas que se repercutem no desenvolvimento neurológico da criança deficiente ou com algum distúrbio.

Em alguns casos, a identificação precoce é óbvia, porém, em outros, só a exclusão e análise rigorosa de sinais pode formular um diagnóstico. Aqui, a intervenção tem seu papel, pois a banalização ou a subvalorização de sinais de desenvolvimento pode adiar a redução dos efeitos ou determinar agravamentos. A identificação precoce grosseira é um perigo. Quanto mais estudos e investigações práticas se encorajarem, por meio de um apoio concreto em termos interdisciplinares, tanto mais facilmente se distinguem e se diferenciam sinais, podendo-se, a partir daí, determinar a natureza dos problemas e o seu correto encaminhamento.

Rubens Wajnsztejn (médico neurologista infantil, mestre em distúrbios da comunicação humana).